Como educar para o otimismo? – uma reflexão…

Como educar para o otimismo?
Esta questão tem-me sido colocada diversas vezes no âmbito do meu projeto “CATIVAR”. Por muito que explique e que tente “inspirar”…constato que não existe uma fórmula que nos transforme em otimistas. Todos os momentos da nossa vida podem ser encarados e avaliados de diferentes perspetivas, que podem ser mais ou menos otimistas.

O povo português é caraterizado pela ideia da desgraça, do futuro sombrio, em que só nesse estado encontramos conforto (sentimento de excelência do Fado). Não querendo incorrer no erro de catalogar o povo português, não se torna difícil encontrar provas do negativismo endémico à nossa sociedade, bastando para tal ver o telejornal, e realizar uma comparação entre o número de boas e as más notícias. De certo modo, por vezes, surge o sentimento que a tragédia une as pessoas, e que é errado ser feliz e demonstrar esse estado de espírito. E essa é uma mensagem que frequentemente é transmitida às nossas crianças, a de que em criança é natural ser feliz, rir, mas que ao crescer, tudo muda. E é precisamente por aí que podemos iniciar uma mudança, começando por cada um de nós, agentes educativos.

 

Esta “revolução” tem de ocorrer, e é em casa e nos estabelecimentos educativos que ela deve começar.

É reconhecido que ao salientarmos um traço, existe uma maior probabilidade de o repetir. Ao observarmos adultos em interação com crianças, verifica-se a frequência com que são destacados aspectos negativos, repreensões, em comparação com os elogios aos bons comportamentos. Nós, adultos, não o realizamos por malícia, ou por desejar o mal para os nossos filhos/ os nossos alunos. O que se verifica com frequência é que repetimos nas nossas crianças os modelos educativos que nos foram transmitidos, que vastas vezes não primavam pelo uso do elogio. No entanto, esses padrões educativos podem ser alterados, especialmente ao termos consciência das nossas ações e do impacto que possuem no desenvolvimento da criança. Cabe-nos a nós, adultos (pais e professores), realizarmos uma auto-reflexão das nossas interações com as crianças, e analisar o “feedback” que lhes transmitimos.
Emília Silva – 2014/2015
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