A principal qualidade da colecção “Filosofia para Crianças”, editada em Portugal pela Dinalivro, é a de não infantilizar o seu público-alvo. Escritos por Oscar Brenifier e muitíssimo bem ilustrados por Serge Bloch, os livrinhos são o fruto de um projecto de ensino da filosofia na escola primária, levado a cabo na cidade francesa de Nanterre.
“As crianças fazem perguntas, todo o género de perguntas, e normalmente são perguntas importantes. O que fazer com essas perguntas? É necessário que os pais lhes dêem resposta? Por que razão deveriam eles responder em vez das crianças?”, escreve Brenifier, para logo concluir “Não se trata aqui de pôr de parte a resposta dos pais: ela pode ajudar a criança a formar-se. Mas convém igualmente ensinar a criança a pensar e a julgar por si mesma, para poder adquirir a sua própria autonomia e tornar-se responsável”.
O objetivo é que a criança descubra o prazer (e por vezes os ângulos inesperados) das perguntas que nascem, aos molhos, de uma dúvida inicial.
Em “O que são os sentimentos?”, por exemplo, há seis questões de partida:

1ª- as provas de amor (“Como é que sabes que os teus pais gostam de ti?”);
2ª- o ciúme (“Tens ciúmes dos teus irmãos?”);
3ª- os conflitos (“Porque é que te zangas com aqueles de quem mais gostas?”);
4ª- o amor (“É bom estar apaixonado?”);
5ª- a amizade (“É melhor estar sozinho ou com os amigos?”) e
6ª- a timidez (“Tens medo de falar sozinho à frente da turma?”).

Encontrei este comentário que achei muito significativo:
«Dirigidos a leitores “a partir dos sete anos”, estes livros não têm limite de validade e merecem ser oferecidos a adultos “com certezas a mais”.»
Emília Silva – 2014/2015
